quarta-feira, 2 de maio de 2012

Para superar a dor

Os melhores resultados são atingidos quando a depressão é tratada como uma doença multifatorial. "Ela não está ligada apenas a um desequilíbrio na química cerebral corrigido com medicamentos", diz Renério Fráguas, do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP. "Às vezes, decorre de fatores psicológicos e o paciente necessita de psicoterapia para se recuperar." Um tratamento não funciona do mesmo modo para todos. A abordagem, segundo o professor de psicologia médica da Unifesp, Mario De Marco, deve ser individualizada. Embora os recursos estejam em expansão, calcula-se que menos de um terço dos deprimidos receba cuidados. Profissionais que participaram do encontro da Academia Americana de Psiquiatria, em 2005, afirmaram que a maior barreira é o preconceito: pacientes e familiares consideram a depressão um sinal de fraqueza. Com isso, a pessoa só vai ao médico quando o quadro está avançado. Confirmado o diagnóstico, as opções de tratamento são:

Remédios
Várias drogas normalizam as concentrações dos mensageiros químicos cerebrais, favorecendo a atividade das células nervosas. Algumas, como a fluoxetina e a sertralina, atuam sobre a serotonina (que estabiliza humor, sono e apetite). Já a venlafaxina e a duloxetina têm dupla ação: interferem na serotonina e na noradrenalina, que é responsável pela disposição. Em média, demoram duas semanas para agir, mas os efeitos colaterais podem aparecer de imediato: boca seca, náuseas e queda do desejo sexual. Metade dos usuários responde bem à prescrição. O restante necessita de ajustes na dose ou de troca de remédio. O tratamento dura até dois anos e não deve ser interrompido, pois há risco de recaída.

Psicoterapia
Duas linhas de terapia breve ajudam a controlar a crise. A terapia comportamental cognitiva (TCC), desenvolvida nos anos 70 pelo psiquiatra americano Aaron Beck, parte do princípio de que os padrões de pensamento determinam as ações, por isso estimula o paciente a reconhecer e a modificar visões distorcidas da realidade, adotando novas formas de agir. Um estudo do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos sobre a TCC revelou que o risco de suicídio em pacientes que já haviam tentado se matar antes caiu pela metade. Ela parece obter sucesso até por telefone, com deprimidos que não saem de casa. Já a terapia interpessoal aprimora a capacidade de se relacionar e de resolver conflitos. Sua eficácia equivale à da terapia cognitiva, de acordo com a tese de doutorado do psiquiatra Marcelo Feijó de Mello, apresentada na Unifesp.

Eletroconvulsoterapia (ECT)
Os polêmicos eletrochoques do passado foram modernizados e voltaram a ser adotados em situações graves, quando o paciente corre risco de suicídio e não responde a antidepressivos prescritos por um ano. Anestesiado, com os sinais vitais monitorados, ele recebe uma descarga elétrica de dois segundos, que provoca uma convulsão, aumentando a concentração de neurotransmissores ligados ao bem-estar. A psiquiatra Márcia de Macedo Soares, do Instituto de Psiquiatria da USP, garante que o procedimento é seguro, eficaz e tem sido indicado até para gestantes e idosos.

Estimulação vagal
Reservada aos casos graves. Um aparelho elétrico semelhante a um marca- passo estimula o nervo vago (integrante do sistema nervoso autônomo), reequilibrando a atividade cerebral. O pequeno gerador é implantado cirurgicamente no peito do paciente e dele sai um fio, adaptado sob a pele do pescoço. Foi desenvolvido com base em estudos da acadêmica americana Helen Mayberg, que observou diferenças entre os níveis de atividade do cérebro dos deprimidos. Foi aprovado pelo FDA, órgão que controla medicamentos nos Estados Unidos. Custa até 20 mil dólares e não está disponível no Brasil.


Estimulação Magnética Transcraniana (EMT)
Utiliza ondas eletromagnéticas para provocar alterações na atividade das células nervosas. Um estudo liderado pela médica Raffaella Zanardi, de Milão, divulgado em janeiro, mostrou que o tratamento pode acelerar a ação dos antidepressivos. Hospitais universitários de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília já aplicam o método.

Atividade física
Ela ajuda na resposta ao medicamento, ampliando a concentração de serotonina. Especialistas da Universidade do Texas investigam se os exercícios mais eficazes são de média ou alta intensidade. Professores da Faculdade de Educação Física e Esporte da USP criaram um programa para pacientes tratados com antidepressivos que inclui caminhada, exercícios localizados, alongamento e bicicleta. Na Universidade de Duke, nos Estados Unidos, um grupo com depressão leve e moderada foi submetido a 30 minutos na esteira, três vezes por semana. O resultado foi melhor do que o observado entre os que só tomavam remédio.

Acupuntura
As milenares agulhas chinesas têm sido testadas em gestantes, já que o uso do antidepressivo na gravidez é controverso. A médica Rachel Manber, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, aposta na eficácia do método. A explicação: é possível que as agulhas modulem a produção de neurotransmissores. O diretor da Liga de Acupuntura da Faculdade de Medicina da USP, Daniel Pimentel, acredita que a técnica pode até substituir o remédio em idosos debilitados.

Meditação
"As pesquisas sobre o tema trazem conclusões promissoras", afirma a bióloga Elisa H. Kozasa, da Unidade de Medicina Comportamental do Departamento de Psicobiologia da Unifesp. Numa delas, a meditação associada à terapia cognitiva promoveu um alívio de sintomas equivalente ao dos fármacos, com a vantagem de apresentar índices bem menores de recaída. Num trabalho feito pela bióloga, 33 pessoas ansiosas, de 18 a 65 anos, tiveram uma redução da depressão e relataram bem-estar geral após meditarem diariamente por 20 minutos, realizando exercícios respiratórios na seqüência.

Fitoterapia
O hipérico (erva-de-são-joão) traz benefícios nas depressões leves. "Mas é importante ressaltar que se trata de um remédio como qualquer outro, com risco de interação medicamentosa", diz Renério Fráguas. Suspeita-se que reduza a eficácia da pílula anticoncepcional e, por isso, requer acompanhamento médico.

Alimentação
“O regime alimentar, nesse caso, precisa servir como estímulo para a pessoa voltar à vida criativa”, diz Rosenbaum. O homeopata destaca a importância de investigar a origem do problema, como anemias. Para evitar a falta de vitaminas e minerais, que acelera o processo depressivo, recomenda o consumo de frutas. A boa notícia para algumas pessoas é que chocolate amargo tem o mesmo papel. Ele contém anandamida, substância que diminui a sensação de tristeza e reduz os níveis de hormônio do stress.

Florais de Bach
Os florais, assim como outras formas de medicina natural, atuam através do tratamento do indivíduo e não da doença, harmonizando sua condição emocional, para que, através da transformação das atitudes em estados mais positivos, possa ser estimulado seu potencial de auto-cura.
Desta forma, como consequência de uma mudança interna, pode ser restaurada a saúde física, já que o equilíbrio interior passa a auxiliar no combate à doença. 

Homeopatia
O tratamento homeopático é baseado na procura da causa de cada depressão específica. Se a causa para o início da depressão não é detectada, o tratamento homeopático é baseado em sintomas pessoais. Todo mundo é um indivíduo único, bem como todos os sintomas são únicos.

Aromaterapia
A aromaterapia  é também uma alternativa útil para ajudar a produzir mais sentimentos positivos. O sentido do olfato é o único sentido que vai diretamente para o sistema límbico, o centro da memória e das emoções. Para apoiar a cura emocional, o toque em forma de massagem pode melhorar muito a recuperação.


Lembre-se: Seja qual for sua opção no tratamento da depressão, lembre-se que a força de vontade interior pode ser o maior dos aliados na cura da depressão. Acreditar que a cura da depressão é possível pode ser um grande começo.